Entre os dias 22 e 25 de julho de 2025, foi realizada na Aldeia Pykany, localizada na Terra Indígena Menkragnoti, uma oficina de capacitação voltada à juventude feminina Kayapó-Mekrãgnoti. A iniciativa teve como foco o fortalecimento do papel das jovens mulheres na proteção e monitoramento do território tradicional. A oficina é financiada pelo Fundo Kayapó e executada pelo Instituto Kabu. Ao total, 36 mulheres das aldeias vinculadas ao Instituto Kabu participaram ativamente das atividades.
A programação inclui atividades práticas e teóricas sobre interpretação de mapas, manuseio de GPS, operação de drones e uso de um aplicativo criado pelo Instituto Kabu,’’SURVEY 123’’, especificamente para a vigilância e monitoramento territorial indígena. A oficina foi pensada especialmente para as jovens que já demonstram familiaridade com tecnologias digitais, como os próprios smartphones e aplicativos, e que atuam diretamente nas bases de vigilância em pontos estratégicos dos territórios.
As jovens participantes mostraram grande capacidade técnica e organização, o que reforça a importância de ampliar suas oportunidades de formação. A proposta da oficina vai além do aprendizado técnico: busca garantir que as mulheres indígenas estejam igualmente preparadas e fortalecidas para desempenhar funções estratégicas na defesa de seus territórios, junto com os homens.
“A juventude feminina Kayapó-Mekrãgnoti já atua com firmeza nas bases de vigilância. Elas conhecem bem o território e manejam com habilidade os equipamentos tecnológicos. Queremos que estejam cada vez mais capacitadas, com o mesmo protagonismo dos homens, para proteger e cuidar da nossa terra”, destacou Po yre Mekragnotire, assessor de comunicação do Instituto Kabu.
Para Luís Carlos Sampaio, coordenador do projeto, a oficina reafirma o compromisso com a valorização dos saberes indígenas, aliados à tecnologia, promovendo a autonomia e o empoderamento da juventude feminina Kayapó. A iniciativa também demonstra a importância da participação das mesmas na construção de estratégias de proteção territorial, diante dos constantes desafios enfrentados pelos povos indígenas na Amazônia.