Os Kayapó-Mekrãgnoti Retomam Coleta de Cumaru com Apoio do Fundo Kayapó

Retomada da Coleta Tradicional de Cumaru pelos Kayapó-Mekrãgnoti
Os Kayapó-Mekrãgnoti Retomam Coleta de Cumaru com Apoio do Fundo Kayapó
15.09

Em 2025, uma iniciativa liderada pelo Instituto Kabu, com apoio do Fundo Kayapó, marcou a retomada simbólica e estratégica da coleta de cumaru na Terra Indígena Menkragnoti, uma das maiores do país, localizada na região amazônica.

A atividade, tradicional entre os grupos Mebêngôkre (Kayapó), une práticas sustentáveis, geração de renda e preservação ambiental, além de manter viva uma parte importante da medicina e da cultura indígena.

Retomada após desafios ambientais e deslocamento

Entre os anos de 2010 e 2015, a coleta de cumaru era intensa nas terras Kayapó. No entanto, fatores como as mudanças climáticas, os incêndios florestais e outras ações humanas provocaram a redução da produção. O cenário se agravou após um acidente aéreo em 2015, que levou a comunidade da aldeia Pykany, localizada às margens do rio Iriri com o rio Jabuí (Xixé), a migrar para uma nova região, mais acima próximo das cabeceiras do rio Jabuí.

Esse deslocamento resultou na interrupção da coleta. Porém, neste ano, um grupo de famílias decidiu retornar à antiga localidade de Pykany, sob a liderança do cacique Àbiri Kayapó, com o objetivo de resgatar essa prática ancestral e fortalecer a presença tradicional no território.

Uma ação de reconexão com o território

Durante 20 dias de imersão na floresta, os Kayapó realizaram atividades como reabertura de trilhas, caça, pesca e até a revitalização de uma antiga pista de pouso. Como resultado, foram coletados 215 kg de cumaru. Apesar de o volume ser menor que em anos anteriores, os sinais são animadores: muitas árvores estão carregadas de frutos, indicando um potencial de recuperação das colheitas nos próximos ciclos.

Mais do que uma ação produtiva, o retorno representa uma reafirmação do modo tradicional Mebêngôkre de ocupação e cuidado com o território.

Valor medicinal e geração de renda sustentável

O cumaru possui grande importância na medicina tradicional indígena, sendo amplamente utilizado no tratamento de doenças pulmonares. Além disso, com o apoio do Fundo Kayapó, a coleta também se torna uma fonte de renda sustentável para as famílias indígenas, por meio da comercialização de produtos florestais não madeireiros.

Essa safra contou com a participação de famílias das aldeias Pykany, Pykatoti e Pyngraitire, todas localizadas na TI Menkragnoti.

 Sobre a Terra Indígena Menkragnoti

A TI Menkragnoti abrange aproximadamente 5 milhões de hectares de floresta amazônica, estendendo-se aos municípios de Altamira, São Félix do Xingu (Pará), Matupá e Peixoto de Azevedo (Mato Grosso). É uma das maiores terras indígenas do Brasil e desempenha um papel essencial na conservação da biodiversidade e na proteção dos modos de vida tradicionais.

Os Kayapó, que se autodenominam Mebêngôkre, são conhecidos por sua forte identidade cultural, sua língua própria e seus rituais, preservados com orgulho. Para eles, a terra não é apenas espaço físico, mas um verdadeiro plano de vida, um verdadeiro mercado livre para gerações futuras do grupo.