Instituto Kabu agora tem quatro mulheres na diretoria

Nova diretoria tem quatro mulheres entre integrantes e é a primeira a ter mulheres em postos de chefia
Instituto Kabu agora tem quatro mulheres na diretoria
29.03

Lideranças das aldeias filiadas ao Instituto Kabu elegeram nesta segunda-feira (28 de março) uma nova diretoria. Presidida por Doto Takak Ire, da aldeia Pykany, quatro dos seis cargos passam a ser ocupados por mulheres. Esta é a primeira diretoria que terá menires (mulheres na língua mebêngokré) atuando na diretoria da organização indígena que representa aldeias Kayapó nas Terras Indígenas Baú e Menkragnoti.

A chapa, eleita no primeiro dia da Assembleia Anual do Kabu, era única das três concorrentes a ter mulheres entre seus dirigentes. As duas cacicas de aldeias do grupo Mekrãgnotí estão entre as eleitas:  Panh-Ô Kayapó, da aldeia Baú é nossa nova diretora-financeira  e a vice-presidente do IK passa a ser a cacica  Kokoba Mekrãgnotire, da aldeia Mekragnoti Velho; a direção administrativa vai ficar com Ngrejmõroti Mekrãgnotire da aldeia Kubenkokre. Ngaite y Kaiapó, da aldeia Krimej, assume a vice diretoria financeira. Completa a chapa o vice-diretor administrativo, Bepjet  Mekrãgnotire, da aldeia Kubenkokre.

Ao defender a sua chapa, Doto Takak Ire lembrou de Rikara, uma mulher da aldeia-mãe dos Mekrãgnotí. Ela pediu ao chefe Raoni Metyktire que demarcasse os territórios Kayapó para proteger o povo e a cultura. Doto explicou que são elas as mais determinadas em garantir a integridade dos territórios e por isso achou importante formar uma chapa com maioria feminina: “Ter uma mulher na chapa só para mostrar que estamos abrindo espaço não é o suficiente. As mulheres estão lado a lado conosco na luta”.

Panh O Kayapó disse que pretende se dividir entre o Kabu e a aldeia e lutar nas duas frentes contra invasores e garimpeiros ilegais que insistem em operar na Terra Indígena Baú.

Mydjere Kayapó Mekrãgnotire, que era vice-presidente do Instituto Kabu, passa a ocupar o cargo de Relações Públicas, vago com a escolha de Doto para a presidência do Instituto.

A diretoria que completou seu mandato ontem foi homenageada com uma placa comemorativa agradecendo sua contribuição para a luta do povo Mebêmgokré-Kayapó pelo reconhecimento e respeito a seus direitos.

Rodrigo Balbueno, que participou da elaboração do Plano Básico Ambiental (PBA) da BR-163 e coordenou o Sistema de Informações Geográficas (SIG) desde a criação do Kabu até 2019, também recebeu uma placa comemorativa. “Fiquei lisonjeado e também emocionado com a lembrança a Carmen Figueiredo, indigenista que apoiou a criação do Instituto Kabu e coordenou a equipe que elaborou o primeiro PBA”.   O Instituto Kabu, que completa 15 anos este ano, foi uma das primeiras associações indígenas a ter uma equipe da instituição de monitoramento de imagens de satélite no auxílio do trabalho de monitoramento e vigilância do território.