Os Kayapó

Nós somos conhecidos pelo nome Kayapó, mas nos auto-identificamos pelo nome Mebengôkré (Aquele de origem do olho d’água), do povo Mekrãgnoti (faces vermelhas)

Antes de existir projetos, ou de existir uma associação indígena, nós sempre lutamos para conseguir recursos para nossas famílias. Parte da história, no começo do contato do nosso povo com os brancos, o SPI já nos mostrou o que era um projeto e foi escolhendo pessoas para ficar à frente e organizar o trabalho.

Muita coisa a gente aprendeu errado, e muitas atividades que antigamente eram permitidas, hoje em dia é proibido por lei, como vender partes de animais (penas, unhas, peles, dentes e outros).

Trabalhar com a derrubada de madeira, ou com garimpo também são atividades ilegais e que geram muitos problemas para o nosso povo.

Por isso, hoje em dia a gente teve que aprender uma nova forma de trabalhar, com associação, com projetos e com recursos financeiros.

O TERRITÓRIO

Nosso território hoje em dia é conhecido como terra indígena (Baú e Mekragnotire) que foi reconhecida pelo estado brasileiro e encontra-se demarcada e homologada.

Nosso território é coberto por grandes florestas e importantes rios, garantindo para as nossas famílias, pescas, caças e recursos naturais como frutas, castanhas e remédios naturais.

Nossa área tem aproximadamente mais de 6 milhões de hectares de Floresta. Fica no sudoeste do estado do Pará, próximo à divisa com o estado do Mato Grosso, no município de Altamira/PA.

No entanto, as cidades de referência para as nossas aldeias são Novo Progresso/PA, Castelo dos Sonhos/PA e Guarantã do Norte/MT.

Nossa área está cercada por fazendas e projetos do governo, como hidrelétricas, rodovias e estradas, além de estar ameaçada por garimpos ilegais, por madeireiros e por novos projetos de infraestrutura que aumentam a pressão sobre nossas terras e seus recursos, que são cobiçados pelo entorno.

OS PROJETOS

Hoje em dia, todos da aldeia já sabem o que é um projeto, mas no começo, quando a gente teve o contato com o branco, a gente não sabia o que era, como funcionava e nem para que servia um projeto.

Às vezes, alguém e principalmente os mais velhos, não sabe direito com funciona o projeto. Surgem dúvidas como por exemplo: como vem o dinheiro? Como gasta? Como presta contas? Tudo tem regra para usar, não pode ser de qualquer jeito, senão suja o nome do Kayapó.

Nessa parte ainda temos algumas dúvidas, por isso no Kabu tem indígenas e brancos trabalhando, e todos os anos o Kabu faz a prestação de contas nas aldeias.

Projeto existe para resolver algum problema ou para melhorar alguma coisa, por exemplo: Na aldeia tinha muito lixo, então a gente criou o Projeto Aldeia Limpa, para resolver o problema do lixo.

Nas nossas terras tem muito castanhal, por isso a gente tem o Projeto da Castanha, para apoiar as comunidades na coleta e na venda da castanha.

Nosso povo tem muito artesanato e as mulheres sabem fazer pulseiras de miçangas e pintura, por isso criamos o Projeto Arte Kayapó, para ajudar a fortalecer nosso trabalho e ajudar a comercializar o artesanato.

Hoje em dia temos 11 aldeias espalhadas nas terras indígenas Baú e Mekrãgnotire. Depois de 10 anos que criamos o Instituto Kabu, a gente conseguiu muitos projetos.

Os projetos estão divididos em grandes programas, como o programa da Eletrobrás, que apoia alguns projetos que já existiam por conta do PBA da BR 163, financiado pelo DNIT e outros projetos com apoio do IBAMA, da FUNAI, do FUNBIO e de parceiros/ONGs.

Hoje temos 10 projetos em andamento. São eles:

  • • Projeto da Farinha;
  • • Projeto de Fruticultura;
  • • Projeto de Audiovisual;
  • • Projeto Aldeia Limpa;
  • • Projeto Arte Kayapó;
  • • Projeto da Castanha;
  • • Projeto do Cumaru;
  • • Projeto de Educação sobre o Consumo de Bebida Alcoólica;
  • • Projeto Babaçu;
  • • Projeto de Gestão Territorial.

Esses 10 projetos estão divididos por assunto, por exemplo:

  • • Educação;
  • • Gestão Territorial;
  • • Alternativas Econômicas;
  • • Segurança alimentar;
  • • Fiscalização e Vigilância;
  • • Cultura.